Com atrasos em leilão, teles projetam 5G no país só em 2021

A expectativa é que a publicação do edital aconteça somente no segundo semestre de 2020

A expectativa inicial de que o leilão das frequências do 5G no Brasil acontecesse em março de 2020 foi frustrada pela demora na resolução da interferência no sinal de televisão por satélite em algumas regiões do país e mudanças no formato da licitação.

Com o processo em análise pelo conselheiro relator da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), a expectativa é que a publicação do edital aconteça somente no segundo semestre de 2020 e a operação comercial se inicie em 2021.

Para Amadeu Castro, diretor da GSMA, entidade que reúne indústrias e operadoras do setor de internet móvel, a estimativa é otimista. Ele calcula que, entre a publicação do edital, a consulta pública, a definição de preços pelo Tribunal de Contas da União e a realização do leilão de fato, corram 18 meses.

“Nada vai acontecer no primeiro semestre de 2020. Se tudo correr como o esperado, sem atrasos, veremos, ainda em 2021, a operação comercial do 5G em algumas grandes cidades ou para algumas aplicações.”

O atraso não pegou a indústria exatamente de surpresa, já que o setor vinha acompanhando de perto o processo.

Juelinton Silveira, diretor de Negócios Governamentais e Comunicações da Huawei, diz que a tecnologia para o desenvolvimento das redes já está pronta -falta a regulamentação.

A Huawei, segundo ele, tem conversado com algumas operadoras, mas não comenta acordos específicos.

O diretor também diz acreditar que o bloqueio da big tech chinesa nos Estados Unidos, parceiro preferencial do Brasil, não vá ter efeitos no país.

“A Huawei já está no Brasil há 21 anos e trabalha com empresas e governos. É uma relação de amizade que não acreditamos que vá se perder por algumas brigas políticas fora do Brasil”, diz.

A Ericsson lançou, em julho, um estudo que estima que a chegada do 5G no Brasil deva movimentar R$ 10 bilhões em investimentos diretos do setor. Caso o leilão seja adiado em um ano, a empresa projeta uma perda de R$ 25 bilhões em impostos até 2025.

“Não acredito que as operadoras vão esperar o leilão para começar a construir suas redes, então devemos ter investimentos na indústria ao longo de 2020. Com o leilão ocorrendo no segundo semestre, chegaremos ao fim do ano com algo em operação. Podemos esperar o 5G nas campanhas de Natal de 2020”, afirma Paulo Bernardocki, diretor de Soluções e Tecnologia de Redes da Ericsson.

Para Sandro Tavares, diretor de marketing da Nokia, as operadoras só devem começar a construir as redes depois da definição oficial da modelagem do leilão, já que o próprio planejamento dessa rede depende disso.

“Para o desenvolvimento do 5G no país, precisamos que as frequências sejam outorgadas. É de interesse da indústria e do país que seja resolvido o mais rápido possível, pois implica a competitividade do Brasil a longo e médio prazo.”

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